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by Urvesh Kotecha, Chief Commercial Officer da Permian Global

29/04/2026

A desvalorização de créditos de carbono vintage (safras antigas) é uma tendência bem reconhecida no mercado voluntário de carbono. A diferença de preços é expressiva: créditos de 2021 a 2023, por exemplo, alcançam um prêmio superior a 200% em comparação com aqueles de 2016 a 2020, com safras mais recentes consistentemente atingindo os maiores valores, mesmo entre diferentes tipos de qualidade de projeto.

Em conversas com compradores, uma preocupação recorrente é que créditos antigos, emitidos sob metodologias anteriores, possam apresentar riscos de integridade. Alguns adotam uma regra prática de cinco anos, evitando créditos mais antigos que isso. O processo de rotulagem CCP (Core Carbon Principles) do ICVCM (Integrity Council dor the Voluntary Carbon Market), que vem excluindo créditos verificados por metodologias mais antigas, tende a reforçar essa percepção.

Lógica de mercado

A questão agora é se esse efeito de desvalorização continuará na mesma intensidade após as mudanças estruturais que ocorreram no mercado por volta de 2023. O mercado atual, com MRV avançado, agências de rating, novos padrões, atualizações metodológicas e instâncias de governança como ICVCM e SBTi (Standard Based Target Initiatives), é significativamente mais robusto e orientado à qualidade em comparação ao período anterior a 2023. Se as preocupações com integridade são o principal fator do desconto por vintage, é razoável esperar uma redução dessa diferença agora que muitos desses pontos foram abordados?

A avaliação é que sim, mas de forma gradual. Os hábitos de compra e critérios de aquisição são persistentes, e o desconto por vintage já está incorporado na estrutura de contratos de algumas bolsas e na forma como empresas formulam suas declarações de compensação. No entanto, a base lógica desse desconto não se sustenta para projetos que passaram por revalidação ou tiveram suas metodologias atualizadas. Um projeto validado sob a versão mais recente do VM0007 da Verra, por exemplo, mantém o mesmo rigor metodológico, independentemente do momento em que seus primeiros créditos foram gerados. O mercado ainda não incorporou plenamente essa realidade.

A Permian Global defende que a lógica de desconto é cientificamente inconsistente e comercialmente contraproducente. Outros fatores, como avaliações independentes elevadas, benefícios à comunidade e à biodiversidade, deveriam ter maior peso. Em um estudo elaborado pelo Gerente Técnico Dr. Leonardo Sáenz, argumenta-se que essa desvalorização penaliza projetos de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) de alta qualidade que assumiram riscos iniciais relevantes e ignora o valor climático acumulado que créditos mais antigos já proporcionaram.

Evidência de durabilidade

Há também uma questão relevante relacionada à permanência. O debate sobre como projetos SbN devem demonstrar durabilidade ganhou força, especialmente com as revisões da SBTi. Projetos mais antigos e consolidados podem oferecer evidências mais robustas de longevidade. Críticos dos créditos antigos tratam a idade como um indicador de risco, enquanto o próprio mercado exige comprovação de permanência ao longo do tempo. Um projeto que protege uma floresta continuamente por quinze anos, atravessou ciclos políticos, manteve relações com a comunidade e passou por auditorias recorrentes demonstra, de forma consistente, sua permanência. Penalizar esse histórico enquanto se valoriza projetos recentes inverte a lógica da permanência.

Isoladamente, a safra diz pouco sobre a qualidade de um projeto. Quando combinado com avaliações elevadas, evidências de impactos positivos na comunidade e na biodiversidade, além de indicadores claros de progresso nos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), o comprador obtém uma visão mais completa do crédito. Observa-se uma intensificação da busca por qualidade no mercado, com acordos de offtake de SbN dobrando em 2024 e preços médios acima de US$ 20 por tonelada para créditos de alta qualidade. À medida que os compradores amadurecem sua compreensão sobre qualidade, o ano do crédito vintage tende a perder relevância frente a análises mais criteriosas no nível de projeto.

Este conteúdo foi publicado no blog da Permian Global. Para ler o original, acesse aqui.

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