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by Ivy Wong Abdullah, CEO Malásia na Permian Global

16/07/2026

A Política Nacional de Mercado de Carbono da Malásia foi lançada esta semana e sinaliza uma intenção consistente de conectar ações climáticas relevantes a uma infraestrutura de mercado funcional.

Entre os principais pontos apresentados na terça-feira, a partir da leitura do documento publicado e de uma breve conversa com o ministro Dato Sri Arthur Joseph Kurup, estão: a incorporação da meta de neutralidade climática na Estratégia de Desenvolvimento de Baixas Emissões de Longo Prazo; o alinhamento entre os interesses estaduais e federais para assegurar interoperabilidade; a criação de uma entidade dedicada à supervisão do mercado de carbono; e a sinalização clara de alinhamento da política ao Artigo 6 do Acordo de Paris.

A NCMP é uma política ampla e relevante que posiciona a Malásia de forma estratégica para participar dos mercados internacionais de carbono. Viabilizar ações domésticas com melhor relação custo-benefício, ao mesmo tempo em que utiliza mecanismos internacionais para enfrentar emissões mais difíceis de reduzir, é uma abordagem coerente. A ênfase na integridade ambiental, em salvaguardas contra greenwashing e no engajamento inclusivo das partes interessadas contribui para a construção de um mercado de carbono robusto, transparente e reconhecido internacionalmente.

Para o mercado voluntário de carbono e o setor de soluções baseadas na natureza, a política ajuda a reduzir incertezas para investimentos. Desenvolvedores de projetos precisam de regras claras sobre autorizações, ajustes correspondentes e sobre como mercados internacionais e domésticos — assim como os mercados regulados e voluntários — irão coexistir.

Um aspecto importante é a manutenção da adicionalidade como critério para projetos elegíveis à geração de créditos, ou seja, os créditos devem representar reduções além das exigidas por regulamentação ou por cenários usuais de negócios. Ao mesmo tempo, a política reconhece que as receitas provenientes de créditos de carbono são fundamentais para viabilizar financeiramente projetos domésticos de conservação. Trata-se de um reconhecimento, em nível de política pública, da lógica que sustenta projetos florestais de alta integridade: sem financiamento, a conservação não acontece. Em conjunto, essas atualizações fortalecem a posição da Malásia como fornecedora de créditos alinhados às expectativas dos compradores que priorizam qualidade, ao mesmo tempo em que busca evitar problemas reputacionais que afetaram outras jurisdições.

O aspecto mais relevante da NCMP está na forma como a política aborda a coordenação entre governo federal e estados. Sabah e Sarawak possuem autoridade constitucional sobre terras e florestas, e qualquer mercado nacional de carbono que ignorasse essa estrutura estaria destinado ao fracasso. A NCMP propõe um conselho de coordenação entre governo federal e estados e estrutura os mecanismos de compensação de carbono baseados na natureza a partir das realidades florestais e territoriais locais, em vez de impor um modelo federal padronizado.

A política também identifica os elementos necessários para viabilizar esse sistema, como legislação, estruturas de governança, formação de profissionais, mecanismos de financiamento e conscientização pública. A NCMP representa o plano da Malásia para transformar metas climáticas em um mercado de carbono operacional, capaz de atrair investimentos, impulsionar a redução de emissões e conectar o país ao mercado global em expansão de créditos de carbono.

Para a Permian Global e para o Projeto de Conservação da Floresta Tropical de Kuamut, em Sabah, a NCMP reforça plenamente a forma como as operações já são conduzidas. O projeto é uma Reserva Florestal de Proteção Classe 1 sob a legislação de Sabah, validado pelos padrões VCS e CCB da Verra, estruturado a partir de um processo de Consentimento Livre, Prévio e Informado com oito vilarejos participantes, facilitado pela PACOS Trust, e monitorado cientificamente em parceria com a SEARRP. Esses componentes passam agora a ser reconhecidos pela política nacional como referência, e não como exceção.

 

O artigo foi publicado no site da Permian Global. Confira a versão original: [link]

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