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by Jessé Burlamaque, Especialista em GIS

24/11/2025

Incêndios: Risco Global e Alerta Amazônico

Um paradoxo alarmante define o cenário global de incêndios. O relatório State of Wildfires 2024–2025 (aqui), publicado no Earth System Science Data (ESSD), indica que, embora a área queimada global tenha ficado 9% abaixo da média, as emissões de carbono do fogo foram 9% superiores (2,2 Pg C), a 6ª maior desde 2003. Esse impacto não é apenas climático. A Amazônia surge como um dos principais motores dessas emissões, sinalizando incêndios de maior intensidade e severidade nos últimos anos. No Brasil, as emissões do fogo ficaram aproximadamente 50% acima da média.

Mas, à medida que  a crise climática amplia o risco de incêndios, o investimento na proteção local é cada vez mais a chave para a resiliência. O relatório afirma que, no Nordeste Amazônico, a mudança climática tornou o clima de fogo extremo 30 a 70 vezes mais provável. Na América do Sul, florestas úmidas, secas e savanas sofreram fortes anomalias, expondo comunidades a níveis perigosos de PM2.5, material particulado na atmosfera. Os dados confirmam que Rondônia está inserida nesta paisagem de alto risco, vulnerável a secas prolongadas e ignições humanas.

 

A Estratégia: Pessoas e Tecnologia no Território

Muitas vezes, a discussão sobre proteção foca apenas em métricas, como hectares monitorados ou alertas de satélite. O trabalho na RESEX Rio Cautário conta com essa tecnologia, mas seu verdadeiro impacto vai muito além. Para ser eficaz, a ação climática deve gerar resultados claros para as 92 famílias (315 pessoas) que vivem no território desta reserva extrativista. A proteção só funciona quando beneficia diretamente quem está na linha de frente. É isso que o projeto de conservação da natureza na RESEX do Rio Cautário, uma parceria entre suas 7 comunidades e a Permian Brasil, vem assegurando nos últimos 5 anos.

A força deste projeto está justamente na união de duas frentes: a Gestão Comunitária Participativa e a Tecnologia de Ponta. Na prática, isso significa que o plano de proteção é ‘vivo’ e atualizado anualmente juntamente com a comunidade. Em 2024, contamos com monitoramento em tempo quase real (OroraTech), drones com sensores térmicos e conectividade móvel (Starlink) para garantir a comunicação ágil entre a sala de situação e as equipes do projeto em campo. Além disso, contamos com o “SMART Conservation Tools” para monitorar, analisar e gerir a área; por ele padronizamos a coleta de dados em campo que depois servem para elaborar mapas, relatórios e decisões operacionais baseadas em dados. Através dele, coletamos dados de biodiversidade, sinais de fauna, ocorrências e ameaças georreferenciadas, além de documentar regiões monitoradas em patrulha.

A eficácia de todo esse sistema se baseia em duas frentes. A primeira é a capacitação, com a formação de brigadistas comunitários e agentes de proteção. A segunda é a cooperação institucional, através do compartilhamento de dados com ICMBio, IBAMA, Batalhão de Polícia Ambiental, ONGs parceiras e o Corpo de Bombeiros de Rondônia.

 

Os Resultados: Resiliência Comprovada

As condições climáticas são voláteis e os recordes de incêndio mudam a cada ano. Mas o valor de uma comunidade engajada, treinada e equipada não é volátil; é sólido e duradouro. Em 2024, ano com o maior número de focos de incêndio já registrados na região, a RESEX do Rio Cautário alcançou zero focos de incêndio em seus 146.400 hectares. Este sucesso se repete em 2025, que também segue sem registros de fogo.

Figura 1. Foco de Calor em 2024 na região do projeto de Conservação Florestal Rio Cautário. Fonte: NASA FIRMS

 

Figura 2. Foco de Calor em 2025 na região do projeto de Conservação Florestal Rio Cautário. Fonte: NASA FIRMS

 

Os resultados no território vão muito além das métricas de carbono.

Em 2024, por exemplo, o esforço operacional do monitoramento pode ser verificado também nas distâncias percorridas por diferentes modais: 2.037,14 km a pé, 8.510,22 km por barco, 54.900,68 km por carro e 5.276,82 km por moto. Nesse mesmo período, reabrimos 26 km de aceiros, demos apoio emergencial a terras indígenas vizinhas e recebemos o reconhecimento oficial do Batalhão de Polícia Ambiental pela contribuição e parceria eficaz contra incêndios na região.

Já em 2025, o monitoramento territorial cobriu: 754,47 km a pé, 8.313,62 km por barco, 24.762,23 km por carro e 1.124,24 km por moto. Adicionalmente, em 2025, abrimos 19 km de novos aceiros para prevenir a propagação de eventuais incêndios.

A equipe de agentes de defesa ambiental capacitada pelo projeto para o combate a focos de calor e prevenção de incêndios conta com 4 equipes e revezamento contínuo para proteção em tempo integral da RESEX, contando com um total de 20 comunitários contratados, garantindo também a segurança de todas as comunidades.

No Projeto de Conservação da Natureza na RESEX do Rio Cautário (conheça), nossa filosofia é que todo investimento deve, ao mesmo tempo, retornar valor para as pessoas e para a floresta. É essa visão integrada de clima, tecnologia e comunidades que aponta o caminho para um futuro resiliente.

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