Regras do jogo

Objetivos do jogo

O objetivo do Jogo da Biodiversidade é conquistar o maior número de cartas formando o “monte da biodiversidade”, com todas as espécies que o jogador conseguiu proteger.
Ao final da partida, vence o jogador que tiver mais espécies acumuladas em seu monte.

Componentes do jogo

O jogo é composto por:

Tipo de carta Quantidade Função
Espécies 46 Cartas comparativas das espécies representadas no jogo
“Leva-tudo” 2 Cartas especiais que permitem capturar cartas do monte da biodiversidade de outro jogador
Característica 6 Cartas que definem qual característica das espécies definirá o vencedor da rodada

Preparação

  • Embaralhe as cartas de espécies e Leva-Tudo em um único monte e coloque-as viradas para baixo, ao centro. Este monte será o maior.
  • Embaralhe as cartas de característica em um monte menor, à parte.
  • Cada jogador recebe, inicialmente, 5 cartas do monte maior. As cartas restantes permanecem no monte de compra.
  • A primeira rodada começa com o jogador à esquerda de quem distribuiu as cartas.

Como funciona

A cada rodada, siga os passos abaixo:

1. Sorteio da característica jogável

Uma carta de característica é retirada do monte menor pelo jogador. Ela define qual característica da espécie será usada na disputa da rodada: tamanho, velocidade, tempo de vida, adaptação, posição alimentar ou esperteza.

2. Escolha da carta pelos jogadores

O jogador que inicia a rodada escolhe, entre as cartas da sua mão, aquela que considera mais forte para a característica definida.

Exemplo: se a caracterítica definida for velocidade, o jogador deve escolher uma carta de animal com boa pontuação em velocidade e mostrá-la aos demais, colocando-a na mesa com a espécie virada para cima. Os demais jogadores prosseguem da mesma forma, em sentido horário.

3. Comparação das cartas

As cartas das espécies dispostas à mesa são comparadas de acordo com a caracterítica definida. Vence a rodada o jogador cuja espécie apresentar o maior valor naquela característica.

Critérios de desempate

Se houver empate entre duas ou mais espécies, aplica-se a regra:

  • O primeiro critério de desempate é a raridade da espécie, e as cartas que empataram são comparadas novamente;
  • Se o empate continuar, sorteia-se uma nova carta de característica, e as cartas que empataram são comparadas novamente;
  • Repete-se o passo anterior até que uma espécie seja a vencedora.

Pontuação da rodada

O vencedor recolhe todas as cartas dispostas à mesa naquela rodada colocando-as em seu monte da biodiversidade. Essas cartas não voltam para a mão do jogador.

Comprando novas cartas

Ao final de cada rodada, cada jogador compra mais uma carta do monte de compra, e uma nova rodada começa.

Fim de jogo

O jogo termina quando pelo menos um jogador fica sem cartas para comprar do monte de compra. Quando isso acontece:

  • A partida é encerrada.
  • As cartas que ainda estiverem nas mãos dos jogadores entram automaticamente em seu monte da biodiversidade.
  • Cada jogador conta as cartas acumuladas em seu monte da biodiversidade.

Vencedor

Ao final da partida, vence o jogador com o maior número de espécies (cartas) em seu monte da biodiverisdade.
Em caso de empate na pontuação final entre os jogadores, pode-se usar um critério de desempate combinado entre os jogadores, como:

  • Maior número de espécies raras (três estrelas) no monte da biodiversidade.
  • Maior número de cartas de uma característica específica, como tamanho ou esperteza.
  • Uma rodada final de desempate entre os jogadores empatados.

Carta especial “leva-tudo”

As cartas Leva-Tudo são cartas especiais embaralhadas em meio ao monte de compras das cartas com as espécies. Ao utilizá-las, o jogador deve:

  • Escolher um dos dois critérios oferecidos pela carta
  • Indicar outro jogador
  • Recolher, do monte da biodiversidade desse jogador, todas as cartas que contenham o critério escolhido
  • Conferir e colocar essas cartas em seu próprio monte
  • Comprar mais uma carta.

Atenção:
Somente um jogador por rodada pode usar uma carta Leva-Tudo. Quando isso acontece, as cartas já jogadas voltam às mãos de seus respectivos jogadores e o jogador que utilizou a carta Leva-Tudo compra a próxima carta do monte de caracterítica e uma nova rodada compartativa de acordo com a característica escolhida se inicia.

Combinados finais

Este manual apresenta as regras principais do jogo. Se surgir uma situação nova durante a partida, os jogadores podem conversar entre si e combinar a melhor forma de seguir. O mais importante é jogar com respeito, escuta e cuidado com a biodiversidade.

Características jogáveis

Tamanho

Mostra o quanto um animal pode crescer.
Animais grandes precisam de mais comida e espaço. Animais pequenos se escondem melhor e passam por lugares apertados. Isso muda como eles caçam, fogem e sobrevivem.

  • Muito pequeno: cabe na palma da mão e se esconde em folhas, cascas e buracos.
  • Pequeno: do tamanho de uma mão grande; entra em tocas e se move rápido na vegetação.
  • Médio: parecido com um cachorro pequeno; deixa rastros fáceis de ver e usa trilhas curtas.
  • Grande: parecido com um porco-do-mato; precisa de mais território e costuma derrubar galhos e folhas ao passar.
  • Muito grande: do tamanho de um boi ou maior; marca a paisagem com pegadas fortes e abre caminhos na mata.

Lembre-se: do menor ao maior, todos os animais têm seu papel na floresta e precisam ser preservados.

Velocidade

Mostra o quão rápido um animal se move para caçar, fugir e atravessar o ambiente.
Quem se move rápido escapa de perigos e alcança comida. Quem é mais lento usa camuflagem, grupo e conhecimento do lugar para sobreviver.

  • Muito lento: move-se devagar e depende de esconderijo e calma.
  • Lento: anda sem pressa, se protege com tocas, casco ou espinhos.
  • Médio: corre bem por curtas distâncias.
  • Rápido: faz arrancadas, foge e caça com agilidade.
  • Muito rápido: cruza grandes trechos em pouco tempo e surpreende presas ou predadores.

Lembre-se: independentemente da velocidade, todos os animais são importantes e devem ser preservados.

Tempo de vida

Mostra quantos anos um animal pode viver.
O tempo de vida varia bastante entre os animais. Animais que vivem muitos anos demoram mais para ter filhotes e precisam de lugares seguros por muito tempo. Os que vivem pouco se reproduzem mais rápido para manter a espécie.

  • Muito curto: vive poucos meses até 1 ano.
  • Curto: vive de 1 a 3 anos.
  • Médio: vive de 4 a 10 anos.
  • Longo: vive de 11 a 30 anos.
  • Muito longo: pode passar de 30 anos.

Lembre-se: preservar qualquer animal é preservar a vida do lugar e o futuro de quem vive dele.

Adaptação

Mostra o quanto um animal consegue resistir às mudanças no ambiente, como calor, falta de água ou alterações na floresta.
Quando o clima muda e a floresta se altera, alguns animais resistem e mudam de rotina. Outros precisam de lugar bem cuidado, com sombra, água limpa e comida certa.

  • Muito baixa: sofre rápido com calor, seca e mudança no território.
  • Baixa: resiste um pouco, mas depende de condições bem estáveis.
  • Média: muda horários e caminhos, aguenta variações por um tempo.
  • Alta: se ajusta a falta de água e mudanças na floresta sem sumir do lugar.
  • Muito alta: vive bem em muitos tipos de ambiente e se recupera depois de mudanças fortes.

Lembre-se: cada espécie ajuda a manter a vida em seu território, por isso todas merecem proteção.

Posição alimentar

Mostra a relação dos seres vivos por meio da alimentação, ou seja, quem se alimenta de quem.
A posição alimentar diz o papel do animal na cadeia de comida. Quando uma espécie some, falta alimento para uns e sobra para outros, e o território perde equilíbrio. Sem equilíbrio, a floresta pode adoecer.

  • Produtor: faz seu próprio alimento, como plantas e algas.
  • Consumidor primário: come plantas, frutos, sementes ou algas.
  • Consumidor secundário: come animais que comem plantas, como insetos e pequenos bichos.
  • Consumidor terciário: caça outros carnívoros, ajuda a controlar populações.
  • Predador de topo: tem poucos inimigos naturais e influencia todo o equilíbrio do lugar.

Lembre-se: a cadeia alimentar é como uma rede de vida, que em equilíbrio mantém a floresta saudável.

Esperteza

Mostra a capacidade do animal de aprender, se adaptar e resolver situações na natureza.
Animais mais espertos acham comida de jeitos novos e escapam de armadilhas. Isso ajuda a viver perto de gente, roça e rio, e também na mata fechada.

  • Baixa: repete os mesmos caminhos e hábitos, muda pouco.
  • Média-baixa: aprende devagar, copia o que vê, mas com limite.
  • Média: adapta algumas rotas e horários quando o lugar muda.
  • Alta: resolve problemas, usa estratégia e aprende rápido.
  • Muito alta: cria jeitos novos, ensina outros e se ajusta a mudanças grandes.

Lembre-se: independentemente da esperteza, todos os animais são importantes e devem ser preservados.

Características não jogáveis

Nome popular

Ajuda a reconhecer a espécie na comunidade.
Nome popular é o nome que a gente usa no dia a dia para falar de um animal. É o nome que passa de geração em geração, na fala da comunidade. Ele pode mudar de um lugar para outro, ou seja, o mesmo animal pode ter nomes diferentes em regiões diferentes.

Exemplos:

  • Onça-pintada: nome usado para o grande felino pintado da floresta
  • Arara-vermelha: nome usado para aves grandes e coloridas, muito vistas em bandos
  • Pirarucu: peixe grande conhecido nos rios da Amazônia

Lembre-se: conhecer e falar o nome dos animais ajuda a valorizar a floresta, fortalecer os saberes da comunidade e proteger a biodiversidade.

Nome científico

Usado pela ciência para identificar um animal com precisão.
O nome científico é um nome padrão, que não muda de região para região. Ele é usado no mundo todo para falar do mesmo animal sem confusão. Cada espécie tem um nome científico único. Isso ajuda a estudar, comparar informações, registrar monitoramentos e apoiar ações de proteção da natureza.

Exemplos:

  • Onça-pintada: Panthera onca
  • Araracanga: Ara macao
  • Pirarucu: Arapaima gigas

Lembre-se: o nome científico mostra que cada animal é único. Mas todos, com qualquer nome, têm valor e precisam ser preservados.

Raridade

Mostra o quão difícil é ver este animal na natureza.
Alguns animais são raros porque a população é pequena. Outros quase não aparecem porque evitam pessoas. Espécies difíceis de encontrar precisam de mais atenção.

  • Fácil: vive em muitos lugares e em grande número
  • Médio: aparece, mas não é sempre
  • Difícil: é raro, tímido ou vive escondido

Lembre-se: tanto um animal fácil quanto um difícil de ver são importantes para o equilíbrio da floresta.

Proteção

Mostra o quanto uma espécie precisa de proteção urgente para não desaparecer. As cartas apresentam o status de ameaça mais crítico entre IUCN e ICMBio.
A ciência avalia o risco de extinção de cada animal. Quanto maior o risco, mais urgente é proteger. Caça, desmatamento, fogo, poluição e perda de alimento e abrigo aumentam esse perigo.

  • ( EX ) Extinta: nenhum indivíduo vivo.
  • ( EW ) Extinta na Natureza: só em cativeiro / cultivo / reintroduzida.
  • ( CR ) Criticamente em Perigo: risco extremo de extinção.
  • ( EN ) Em Perigo: risco muito alto de extinção (EN = endangered).
  • ( VU ) Vulnerável: risco alto de extinção.
  • ( NT ) Quase Ameaçada: perto de virar ameaçada (NT = near threatened)
  • ( PP ) Pouco Preocupante: baixo risco no momento.
  • ( DI ) Dados Insuficientes: dados insuficientes para avaliar.
  • ( – )Não Avaliada: ainda não avaliada.

Lembre-se: extinção é para sempre. Proteger as espécies, principalmente as ameaçadas, é proteger a floresta, os rios e o futuro das comunidades.

Ambiente

Mostra onde o animal vive melhor na natureza.
O ambiente, chamado pela ciência de habitat, é o lugar onde o animal encontra comida, abrigo e consegue ter filhotes. Cada espécie precisa do ambiente certo para sobreviver. Quando esse lugar é destruído, o animal perde sua casa e fica mais em risco.

Florestal: vive entre árvores, cipós e plantas, usando sombras e refúgios

Aquático: vive na água ou nas beiras, perto de igarapés, várzeas e lagoas

Capoeira: vive em campos, capoeiras e lugares com menos árvores

Lembre-se: cuidar do ambiente é cuidar dos animais, dos rios e do equilíbrio da floresta.

Alimentação

Mostra qual é a alimentação preferida do animal.
A alimentação mostra o papel do animal na natureza. Ajuda a entender onde ele vive e como sobrevive. Mudanças na floresta podem afetar sua comida. Cada animal tem seu tipo de alimentação. Há vários tipos, os mais comuns são:

Frugívoro: frutas em geral

Herbívoro: folhas, frutos e sementes

Carnívoro: outros animais, como mamíferos, aves e peixes

Onívoro: tanto plantas quanto animais

Insetívoro: insetos como formigas, larvas e pequenos bichos

Lembre-se: cuidar do ambiente é cuidar dos animais, dos rios e do equilíbrio da floresta.

Especialização

Mostra qual é o “trabalho” principal do animal na floresta e o quanto ele depende de condições certas para estar presente.
Alguns animais fazem um serviço bem específico, como espalhar sementes grandes, controlar insetos, mexer no solo ou regular a quantidade de presas. Quando a floresta muda, as espécies mais especializadas sofrem primeiro e podem desaparecer do lugar.

Principais especializações no jogo:

  • Dispersão de sementes e regeneração: espalha sementes e ajuda árvores novas a nascer, mantendo a diversidade
  • Controle de insetos e saúde das árvores: come formigas, cupins, larvas e outros insetos, evitando desequilíbrios
  • Engenheiras do ecossistema, rios e solo: revolve o chão, cria tocas e barreiros, mexe na várzea e ajuda a circular nutrientes
  • Espécie social e generalista: vive em grupo, come muitos alimentos e cumpre mais de uma função na natureza
  • Predadores e equilíbrio das populações: controla presas e evita superpopulações; costuma indicar ambiente saudável

Lembre-se: cada especialização é importante para o equilíbrio da floresta. Mesmo os animais mais comuns ou mais raros precisam ser preservados.