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por Permian Brasil

22/07/2025

Em um momento decisivo para o futuro climático do planeta, o primeiro painel do webinar COP30: Floresta Amazônica, Soluções Climáticas, Desafios e Oportunidades reuniu especialistas para lançar luz sobre o papel estratégico da Amazônia frente às mudanças globais. Promovido pela Permian Brasil, em parceria com ((O)) Eco e apoio da ABRAMPA, o encontro aconteceu online, na última semana, e abriu uma relevante programação de meio dia, com o tema “Clima, Floresta e Biodiversidade – Realidade e Oportunidades Amazônicas”.

Moderado por Miguel Milano, conselheiro sênior da Permian Brasil e referência em conservação e políticas públicas, o painel teve como pano de fundo a realização inédita da COP30 na Amazônia, marcada para novembro deste ano em Belém. Logo na abertura, Milano destacou a relevância global da floresta tropical brasileira: “A Amazônia é essencial para a estabilidade climática do planeta, e o Brasil tem o privilégio de possuí-la — e a responsabilidade — de protegê-la.”

 

Colonização, desmatamento e o “agrossuicídio”

Na sequência, o mestre em ciências Raoni Rajão (UFMG) iniciou a conversa com uma análise crítica das raízes históricas do desmatamento no Brasil. Segundo ele, diferentemente de países que já passaram por uma transição florestal, o Brasil ainda vive uma fronteira ativa de ocupação, “como o velho oeste americano”, em direção ao Norte e Oeste.

Rajão ressaltou que o modelo atual de avanço territorial é calcado em um ciclo predatório de esgotamento dos recursos, sustentado por uma disfuncionalidade fundiária histórica: “A Lei de Terras de 1850 não falhou — ela foi desenhada para permitir a apropriação privada das terras públicas pelas elites.”

O pesquisador também apresentou o conceito de “agrossuicídio”, cunhado em pesquisa de Argemiro Leite, segundo o qual os ganhos locais com desmatamento até 2050 (cerca de US$ 20 bilhões) seriam superados por perdas regionais na ordem de US$ 180 bilhões, incluindo impactos climáticos e econômicos amplos.

 

Biodiversidade: riqueza ameaçada e pouco compreendida

O biólogo, mestre e pesquisador Ubiraja Oliveira, também da UFMG, trouxe uma reflexão complementar sobre os múltiplos significados da biodiversidade. “Mesmo na academia, não há consenso sobre sua definição. Precisamos reconhecer sua complexidade para traduzi-la em políticas eficazes”, afirmou.

Oliveira lembrou que o Brasil abriga 14% dos remanescentes florestais tropicais do mundo e 25% das áreas protegidas tropicais. Para ele, a conservação não é um fim em si, mas uma questão de sobrevivência humana: “A vida na Terra vai seguir, com ou sem a gente. Quem está em risco é a nossa espécie.”

Entre os exemplos de valor econômico da biodiversidade, o pesquisador destacou os produtos florestais não madeireiros, os medicamentos e o turismo de observação de aves. Mas alertou: “O custo da não conservação já está entre nós — vemos isso nas ondas de calor, nos eventos extremos e no aumento do risco de pandemias zoonóticas, que nunca estiveram em convívio tão próximo conosco e não precisarão ser importadas.”

 

Quando os serviços ambientais entram no PIB?

Em suas interações com os painelistas, Miguel Milano reforçou a urgência de traduzir essas ameaças e soluções em narrativas compreensíveis para a sociedade. “Como convencer o PIB, referindo-se aos setores que o compõem, de que estamos em rota de suicídio coletivo?”, questionou.

Rajão respondeu propondo mudanças no licenciamento ambiental e na governança de dados: “Precisamos sair da lógica do mínimo denominador comum. Por exemplo, contratar estudos ambientais diretamente pelo Estado, como faz o modelo norte-americano, poderia reduzir conflitos de interesse.” A conclusão foi que no momento, estamos indo na direção contrária, com os últimos acontecimentos legislativos em relação ao licenciamento ambiental no Brasil.

Oliveira complementou com uma defesa da educação ambiental, mas sem ingenuidade: “Educar leva tempo. O que precisamos agora é regulamentação, fiscalização efetiva e certeza de punição.”

 

Assista ao painel completo

O painel “Clima, Floresta e Biodiversidade – Realidade e Oportunidades Amazônicas” está disponível na íntegra no canal de YouTube do ((O)) Eco. Acompanhe os próximos encontros da série e participe da construção de uma agenda informada, plural e comprometida com a proteção da nossa maior riqueza: a floresta viva.

👉 Assista aqui: [link do vídeo no YouTube]

 

Leia também o artigo de ((O)) Eco sobre o painel 1 aqui:

 

Acompanhe a série de resumos dos três painéis restantes ao longo desta semana. Siga nossas redes e assine nossa newsletter aqui.

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